terça-feira, 29 de setembro de 2009

Improvavel


Trata-se de uma peça que se baseia no improviso total e conta fundamentalmente com a participação do público. Por isso, o espetáculo nunca se repete, com novos textos e piadas a cada sessão.

Trechos da peça foram registrados e postados no YouTube, e hoje já ultrapassam a marca de 4 milhões de acessos por mês.

Os criadores Anderson Bizzocchi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna (da Cia. Barbixas de Humor) reforçam que, por causa da improvisação, as cenas famosas na internet não se repetem no palco.

“Improvável” conta sempre com atores convidados, que atuam nas cenas ao lado dos criadores do espetáculo. Quem explica as regras dos “Jogos de Improvisação” que serão apresentados e coordena os temas propostos é o Mestre de Cerimônia. Improvisam os outros 4 atores.

Já passaram pelo "Improvável" Rafinha Bastos, Marcio Ballas, Marco Luque, Marcelo Tas, Oscar Filho, Marco Gonçalves, Marcela Leal, Marianna Armellini e Cristiane Wersom.

Local: Sala Martins Penna
Endereço: Teatro Nacional Cláudio Santoro
Telefone do Local: 61-3325-6256 / 3325-6161
De: 03/10/2009 a 04/10/2009
Ingressos: R$ 50,00 inteira – R$ 25,00 meia.
Ponto de Venda: Na bilheteria do teatro.

Mistério Bufo


O CCBB apresenta, de 18 de setembro a 12 de outubro, o espetáculo Mistério Bufo, de Vladmir Maiakóvski, um dos mais importantes poetas russos do Século XX. A narrativa recorre a conceitos grandiosos para dar enredo à compreensão que se tem do futuro no tempo presente, baseando-se no passado. O texto trata da eterna busca da aventura humana.

Com direção de Cláudio Baltar e Fábio Ferreira, a montagem apresentada mostra ao público o frescor do jovem poeta russo, com uma inovação e a maturidade capaz de impressionar o espectador contemporâneo.

Seguindo as sugestões do autor, a encenação procurara focar precisamente o contraste entre o passado e o futuro, recorrendo à utilização de diferentes espaços.

Nos moldes de um espetáculo itinerante, a platéia será conduzida pelos atores através de espaços cênicos, montados na área externa e no Pavilhão de Vidro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília.
Trata-se de uma peça trans-histórica, que remete a um período marcante: a Revolução Comunista Russa e a grande expectativa quanto ao sucesso do novo regime. Todavia, a relação que a sociedade atual mantém com tais temas modificou-se: hoje a descrença social - à qual se acrescentam previsões de cataclismas ecológicos e econômicos - ajuda a expandir a desesperança e, com ela, a visão pessimista do futuro.

Maiakóvski apontava de maneira esperançosa e otimista para o futuro, porém, sendo os dias de hoje uma parte do futuro ao qual ele se referia em seus textos, é possível inferir que o tempo presente é a constatação da frustração de uma expectativa de ontem. Logo, a quebra das expectativas parece ter levado o homem contemporâneo à conclusão inegável do seu fracasso.

Em conclusão disso, no contexto em que estamos inseridos torna-se urgente pensar a questão de um olhar para o futuro que não esteja necessariamente atado às utopias, mas que possa ser tão enriquecedor e entusiasmado quanto foi o olhar de Maiakóvski.


Local: CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil
Endereço: Entre a Academia de Tênis e Clube de Golf
Telefone do Local: ---
De: 18/09/2009 a 12/10/2009
Ingressos: R$ 15,00 e R$ 7,50
(para professores, estudantes, pessoas com mais de 60 anos e correntistas do BB).
Ponto de Venda: No local.

O Homem de Buenos Aires


A trama narra as confusões e imbróglios possíveis – e inevitáveis – nas relações entre homens e mulheres e os tropeções e enganos cometidos quando um brasileiro tenta entender como é mesmo esta tal de América Latina, onde todo mundo “habla” uma língua que se parece muito com a nossa.

Jorge Quiroga é um uruguaio nascido em Montevidéu – e não um argentino nascido em Buenos Aires, como sugere o título. Esse homem está irremediavelmente perdido entre três mulheres brasileiras. A primeira delas, Maria Rita, irritada e tensa, exige que ele fale português o melhor possível. Ela o abandona e entra em cena a segunda mulher, Deogratia, que não entende nada do que seja o sul das Américas: ela é capaz de jurar que seu próprio nome quer dizer graças a Deus em espanhol. Além disso, acredita piamente que Montevidéu, assim como Ciudad del Este, fica na Argentina. E, finalmente, surge à mãe de Deogratia, Lúcia Helena, uma mulher decidida a ser fatal, que se importa muito pouco com a origem do rapaz. Argentino? Uruguaio? Não interessa. O importante é que ela o acha atraente o suficiente para querer uma aventura.

Data: De 17/09 a 04/10.

Horário: Quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h.

Endereço: Teatro Goldoni - Casa D`Itália

Ingressos: Quinta-feira: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia). Sexta a domingo: R$ 30,00 e R$ 15 (meia)

Classificação indicativa: 14 anos

Informações e reservas: (61) 3443-0606

Festival Internacional da Novadança


De: 30/09/2009 a 04/10/2009
Ingressos: Troque um livro velho ou novo pelo ingresso (os livros arrecadados serão doados para escolas públicas e bibliotecas comunitárias do DF)
Ponto de Venda:
Teatro da Caixa
Setor Bancário Sul, quadra 4, lotes 3 e 4
Fones: 3414-9752 / 3414-9448 / 3414-6456

Festival Internacional da Novadança é um projeto de comunicação e intercâmbio, formação de opinião e de aperfeiçoamento para dançarinos, coreógrafos, diretores e profissionais de dança. Durante os últimos anos este projeto está criando uma rede de comunicação entre profissionais brasileiros e estrangeiros, permitindo a reflexão, o desenvolvimento de pesquisas e o aprimoramento de trabalhos.

O Festival foi criado no ano de 1996.

É uma realização da USINA, em parceria com o Fundo de Arte e Cultura do GDF. Através deste Festival, Brasília tem recebido profissionais de diferentes nacionalidades, altamente qualificados e reconhecidos mundialmente. Durante esses anos a USINA trouxe à Brasília os coreógrafos e performers: o venezuelano David Zambrano, o espanhol Jordi Cortes Molina, o argentino Gustavo Lesgart, a holandesa Angélika Oei e Mat Vooter e os norte-americanos Howard Sonenklar, Mark Tompkins, Katie Duck, Daniel Lepkoff, Ray Chung, Cathie Caraker, Lisa Nelson, Alito Alessi, Katie Duck, Emery Blackwell e Karen Nelson, os brasileiros Tica Lemos, Dudude Herman, Andréa Jabor, Cristian Duarte, Patrícia Werneck, Luiz de Abreu, Dudude Hermman e a Benvida Cia de Dança, a ASQ Cia de Dança e o Balangandança entre outros.

Aproximadamente 1050 (mil e cinqüenta) dançarinos, coreógrafos, e interessados participaram dos cursos; nestes anos 900 (novecentas) bolsas de estudos foram distribuídas; e cerca de 16.500 (dezesseis mil e quinhentas) pessoas assistiram as apresentações.

Os principais objetivos do Festival são:

- o aprimoramento e aperfeiçoamento de dançarinos e coreógrafos;
- promover o intercâmbio entre profissionais brasileiros e estrangeiros;
- despertar o interesse de crianças e jovens para a prática da dança contemporânea, apresentação de performance e trabalhos de improvisação;
- criar uma área no centro-oeste para a dança contemporânea;
- inserir Brasília no eixo cultural como um centro de desenvolvimento e exportação da dança contemporânea.

Através deste projeto está sendo criada uma rede de comunicação entre profissionais brasileiros e estrangeiros, permitindo a reflexão, o desenvolvimento de pesquisas e o aprimoramento de trabalhos.

Em sua XIII edição o Festival estende-se por todo o país através da participação de profissionais de diversos estados brasileiros. O projeto está organizado em uma semana de: A) Espetáculos, B) Performances, C) Workshop, D) Encontro de Criadores e Coreógrafos, E) Sala de vídeo, F) Mostra de vídeos e G) Conversando com o artista (debates).

A) Espetáculos

Espetáculos de artistas e companhias de reconhecimento nacional e internacional além de apresentações de companhias de dança.

B) Performances

Espaço reservado para sessões de improvisação e apresentação de Performances por parte dos dançarinos e coreógrafos selecionados para participarem do projeto.

C) Workshop

Curso de aperfeiçoamento e reciclagem durante uma semana, para dançarinos e coreógrafos brasileiros previamente selecionados.

D) Encontro Internacional de Criadores e coreógrafos

Encontro de criação, de aperfeiçoamento e reciclagem para dançarinos e coreógrafos brasileiros e sul-americanos previamente selecionados.

E) Sala de vídeos

Nesta sala estudantes e público em geral, assistem vídeos sobre Dança Moderna e Contemporânea, Newdance e Vídeodança.

F) Mostra de vídeos

Esta mostra compreende vídeos dos principais coreógrafos e companhias de dança contemporânea do mundo.

G) Conversando com o artista

Os artistas convidados e os coreógrafos envolvidos no projeto conversam com a comunidade sobre seus trabalhos e o processo de criação.

PROGRAMAÇÃO

(SETEMBRO/OUTUBRO - 2009)

Brasília

Dia 30/09 (Quarta-feira)

09:00 às 12:00 - Workshop de dança/performance (Praça da República)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
15:00 às 18:00 - Encontro de Criadores e Coreógrafos (Espaço Leitura & Debate - CAIXA Cultural)
20:00 - Espetáculo de Dança FASE 1 - PROJETO com DUDUDE HERRMANN – Belo Horizonte (Teatro da Caixa)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
21:00 - Conversando com o Artista (Teatro da Caixa)

Dia 01/10 (Quinta-feira)

09:00 às 12:00 - Workshop de dança/performance (Praça da República)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
15:00 às 18:00 - Encontro de Criadores e Coreógrafos (Espaço Leitura & Debate - CAIXA Cultural)
20:00 - Espetáculo de Dança MÁQUINAS DA FELICIDADE #1 com CARAVANA BOM SELVAGEM - Itália (Teatro da Caixa)
21:00 - Conversando com o Artista (Teatro da Caixa)

Dia 02/10 (Sexta-feira)

09:00 às 12:00 - Workshop de dança/performance (Praça da República)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
15:00 às 18:00 - Encontro de Criadores e Coreógrafos (Espaço Leitura & Debate - CAIXA Cultural)
19:00 - Mostra de Filmes Dançando Para Câmera (Foyer do Teatro da Caixa)
20:00 - Espetáculo de Dança ESPAÇO ENTRE ROSA E AZUL com DANÇA PEQUENA - Brasília (Teatro da Caixa)
21:00 - Conversando com o Artista (Teatro da Caixa)

Dia 03/10 (Sábado)

09:00 às 12:00 - Workshop de dança/performance (Praça da República)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
15:00 às 18:00 - Encontro de Criadores e Coreógrafos (Espaço Leitura & Debate - CAIXA Cultural)
12:00 - Performance COMO HABITAR UMA PAISAGEM SONORA de DUDUDE HERRMANN e MARCELO KRAISER com dançarinos de Brasília (Praça da República)
19:00 - Mostra de Filmes Dançando Para Câmera (Foyer do Teatro da Caixa)
20:00 - Espetáculo de Dança 2 com BASIRAH - Brasília (Teatro da Caixa)
21:00 - Conversando com o Artista (Teatro da Caixa)

Dia 04/10 (Domingo)

09:00 às 12:00 - Workshop de dança/performance (Praça da República)
14:00 às 19:00 - Sala de Vídeo (Foyer do Teatro da Caixa)
15:00 às 18:00 - Encontro de Criadores e Coreógrafos (Espaço Leitura & Debate - CAIXA Cultural)
12:00 - Performance COMO HABITAR UMA PAISAGEM SONORA de DUDUDE HERRMANN e MARCELO KRAISER com dançarinos de Brasília (Praça da República)
19:00 - Mostra de Filmes Dançando Para Câmera (Foyer do Teatro da Caixa)
20:00 - Espetáculo de Dança LOS ZUECOS VAN HACIA SUS BUENOS HÁBITOS com COMPANHIA NÓMADA – Ilhas Canárias (Teatro da Caixa)
21:00 - Conversando com o Artista (Teatro da Caixa)

CONVIDADOS

ESPETÁCULO FASE 1 PROJETO

Trabalho em dança apoiado em estruturas ventiladas de improvisação, se alimentando do desejo de fisicalizar algo que se encontra em forma embrionária. Este trabalho faz parte da tríade da próxima criação em solo de Dudude Herrmann, e que na terceira Fase terá a direção de Cristiane Paoli Quito(SP) com o nome provisório de A Sonhadora.A estratégia de construção se dá por três fases, todas estas fases serão compartilhadas com o publico no sentido de potencializar a urgência do discurso deste trabalho. Em FASE 1 PROJETO Dudude propõe a exposição do tema "projeto", expondo questões onde perguntas provocam crises e abalos atingindo o interprete que se deixa atravessar pelas seqüências configuradas na ação. A Sonhadora é o desejo de espetáculo com previsão de estréia para 2010. Em 2009 Dudude tem como proposta apresentar as duas primeiras fases em um caráter de work in progress com o objetivo de fortalecer parceiros e divulgar idéias correlatas a função da criação em si PROJETO – PROCESSO -PRODUTO. Ativando a imaginação, a ampliação da fronteira, a maneira que a dança poderá ser trabalhada, proporcionando um ambiente de potência onde imaginação e ação física caminham juntas, verificando algo inexprimível que vem da alma, de um sonho, de um desejo. O verdadeiro sonhador dizia Proust é o que vai verificar alguma coisa.


Dudude Herrmann

Bailarina, improvisadora, coreógrafa, diretora de espetáculos e professora de dança. Inicia seus estudos nos anos 70 como parte da geração do Grupo Trans-Forma BH/MG. Dirigiu seu estúdio de 1994 a junho/2009, Dirigiu a Benvinda Cia de Dança de 1992 a março/2008. Foi bolsista do Ministério da Cultura do Brasil – projeto Bolsa Virtuose 2000, em residência no Centro Coreográfico de Orleans a convite de Josej Nadj. Em 2003/2004 desenvolveu seu projeto “Poética de um Andarilho – a escrita do movimento no espaço de fora” viabilizado pelas Bolsas Vitae de Artes. É idealizadora do Ciclo de Confluências - Idéias de... Desde 2006, ministra cursos e oficinas focados no conhecimento da linguagem da improvisação. Desenvolve parcerias criativas com artistas múltiplos. Segue trabalhando interessada e curiosa em assuntos de arte/vida.

CONVIDADOS

ESPETÁCULO MÁQUINAS DA FELICIDADE#1

É a primeira ação culturofágica, performática e dançante da Caravana Bom Selvagem, dirigida pelo coreógrafo, dançarino e educador italiano Camillo Vacalebre, com a participação de Raquel Navas, André Kainan, Alexandre Peck e Camillo Vacalebre. Este trabalho hibrido nasce como homenagem a Pina Bausch, Merce Cunningham, John Cage, os artistas do Judson Dance Theatre e outros artistas modernos, pós-modernos e contemporâneos.

Caravana Bom Selvagem

Camillo Vacalebre, é professor da Técnica Alexander, diplomado pelo ATCA – Alexander Techniek Centrum Amsterdam e membro da ABTA - Associação Brasileira da Técnica Alexander. É coreógrafo, dançarino e educador diplomado em 1994 pelo CNDO/EDDC (Centro Europeu pelo Desenvolvimento da Dança), departamento de dança do Instituto Superior de Artes em Arnhem (Holanda). É diretor da Caravana Bom Selvagem - Companhia Culturofágica, performática e dançante. É dançarino de Contato Improvisação desde 1989. Ensina e divulga Contato Improvisação há 15 anos, em instituições acadêmicas e centros independentes no Brasil e no exterior (Itália, Dinamarca, Argentina). Coordena o projeto Brasília em Contato: Inclusão na Dança. Foi beneficiado com recursos do FAC (Fundo de Arte e Cultura do DF) em 2002 e 2003 para os espetáculos “Retrato de Homem Velado” e “Casa dos Rapazes”. Foi professor titular da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes de 1998 a 2002. Foi professor substituto do departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB, IdA-CEN) em 2003.

CONVIDADOS

ESPETÁCULO O ESPAÇO ENTRE ROSA E AZUL

Joga com as “representações” pré-estabelecidas em nome da divisão binária macho/fêmea, brincando com os signos e fetiches que ilustram os papéis de gênero determinantes do que são comportamentos masculinos e femininos aceitáveis, e deixando espaço para a reflexão sobre as diversas possibilidades que podem permear a sexualidade, fugindo de uma construção de pensamento baseada no padrão biológico de distinção anatômica que oferece apenas dois caminhos possíveis. Uma personagem lésbica questiona, afronta e reflete com sensibilidade e ironia sobre o conflito entre a identidade que se possui e o corpo que se tem, o peso dos rótulos e a necessidade de se libertar deles, a interessante possibilidade da mescla e do contraste entre masculino e feminino, forte e frágil, rosa e azul, a consciência da feminilidade que se manifesta singularmente de um indivíduo a outro ou o aspecto sedutor de um corpo em consonância com sua identidade.

Dança Pequena

Surgiu em 2000 , do encontro de Édi Oliveira (bailarino, coreógrafo e diretor artístico do grupo) e de Fabiana Garcez (intérprete) para a realização do espetáculo O CORAÇÃO TEM SUA MEMÓRIA (2001). Em seguida o grupo realizou os espetáculos TENHAM OLHOS SÓ PARA MIM (2005) e SOM LIDO NO SOLO DO SOL (2006), solo concebido e interpretado por Édi Oliveira. Os 3 espetáculos foram apresentados no FESTIVAL INTERNACIONAL DA NOVADANÇA (Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo) em 2004, 2006 e 2007 respectivamente. Além destes, o grupo realizou o duo A GENTE SÓ TOCA EMOÇÃO (2005), e o solo TARTE TATIN interpretado por Fabiana Garcez. Seu mais recente espetáculo é o solo intitulado O ESPAÇO ENTRE ROSA E AZUL (espetáculo sobre identidade de gênero) interpretado por Danielle Renée.

CONVIDADOS

ESPETÁCULO DOIS

Ganhador do prêmio de dança “Klauss Vianna 2007”, o espetáculo tem livre inspiração na peça Dois perdidos numa noite suja de Plínio Marcos. Dois farrapos humanos ligados por uma relação complexa, de companheirismo e inimizade, de ódio visível e, também, quem sabe, de afeição subterrânea. Juntos, não chegam a constituir um par de amigos. Mas, separados, mergulhariam na solidão, o que seria ainda pior. O diálogo que travam é uma exploração constante das fraquezas recíprocas, um intercâmbio de pequenos sadismos. O texto, utilizado como provocação para a criação da dramaturgia corporal e do contexto cênico, é o retrato da exclusão e discriminação urbana, as sobras do processo duro da luta por um lugar ao sol, a marginalidade que os sistemas injustos criam e não sabem como absorver.

baSiraH – Núcleo de Dança Contemporânea

O baSiraH - Núcleo de Dança Contemporânea, foi fundado em 1997, sob a direção de Giselle Rodrigues. Em onze anos de existência, realizou onze montagens sob as direções de Giselle Rodrigues e parcerias com Marisa Godoy, Hugo Rodas, Márcia Duarte, Howard Sonenklar, Alessandro Brandão e Luiz Mendonça. Além de se apresentar freqüentemente em Brasília, participou do Festival de Inverno da Paraíba e Mostra SESI de Dança (GO), Fórum Goiano de Dança GO, Mostra SESI de Dança (GO), A Face Divertida da Dança – Ciclo de Dança do SESC (SP), Temporadas Populares em Campo Grande (MS), Mostra de Dança do Porto (Portugal), Festival de Inverno de São João Del Rei (MG), Usina Dança de Porto Alegre, Dança Brasil, Festival de Dança de Uberlândia, I, II e III Circuito BrasilTelecom de Dança, III Bienal de Dança do Ceará, Festival de Teatro de Curitiba 2004 e 2007, Festival Internacional de Teatro de Londrina (FILO), Panorama da Dança (RJ) dentre outros. Em 2004 o grupo realizou turnê por dez capitais brasileiras pelo projeto “PALCO GIRATÓRIO” do SESC, com o espetáculo “UROBOROS”. Estreou em 2005 o espetáculo “De água e sal”, no Festival Internacional de Teatro e Dança CENA CONTEMPORÂNEA, em Brasília, se apresentando também na Mostra de Dança XYZ (DF). Com este espetáculo realizou temporada no SESC Vila Mariana (SP) e Espaço Cultural CPFL (Campinas), e participou da Mostra FRINGE do Festival de Teatro de Curitiba em 2007, além de ser ganhador da “CARAVANA FUNARTE DE DANÇA 2006/07” realizando circulação do espetáculo por quatro cidades.

CONVIDADOS

ESPETÁCULO LOS ZUECOS VAN HACIA SUS BUENOS HÁBITOS

É fundamentalmente um trabalho de investigação do movimento e do corpo como motor da ação e argumento coreográfico. Este espetáculo coreográfico mergulha no corpo e na sua presença no espaço.

Companhia Nómada

A Companhia Nómada, existe desde 2000, tem como objetivo principal romper com os espaços tradicionais da dança. Assim, a Companhia se apresenta para todo tipo de público e em diferentes espaços, numa busca de uma melhor comunicação entre o artista e o público de dança contemporânea. Assim, “Andanzas Imaginarias” y “Paseo con la Danza” são apresentações para ruas e "Intramuros" para casarões, monasterios e prisões como na apresentação de 2006 no Brasil. A Companhia Nómada, também é uma plataforma de pesquisa, utilizando-se da dramaturgia, recursos audiovisuais e outros aspectos artísticos para enriquecer suas apresentações que resultem em criações conjuntas, e ainda trabalhos individuais com artistas convidados, que enriquecem o grupo sempre no Teatro Vitória, em Santa Cruz de Tenerife sede da empresa e onde as trocas ocorrem com outros criadores que visitar este centro. “Viaje a ras de sueño”, “Historia de un soldado”, “Andanzas Imaginarias”, “Intramuros”, “Homo”, “Suite Nómada, velada de música y danza” , “Andanzas Imaginarias” e “Paisajes de la memoria” são os espetáculos com que esta companhia tem actuado em vários teatros, ruas e vários edifícios de arquitectura nas Ilhas Canárias, na América, e em vários festivais internacionais (Uruguai, Bolívia, Peru, México, Venezuela, Senegal, Argentina, Brasil e França). Seu último espetáculo “Los zuecos van hacia sus buenos hábitos”, do coreógrafo Daniel Abreu, estreiou em setembro de 2008.

PERFORMANCE

COMO HABITAR UMA PAISAGEM SONORA

De Dudude Herrmann e Marcelo Kraiser

Sua estréia foi em Fevereiro de 2005 no V Encontro Internacional de Performance(BH/BR) Conservatório Mineiro de Música (BH).Apresentou dentro da Programação do SESC/SP na Mostra Mediterrâneo fazendo 10 cidades do estado de São Paulo. Em 2006 apresentou na Zona da Mata (MG) dentro do Projeto Visitas Benvindas com a participação da Ormeo Cia de Dança (Cataguases). Em Julho de 2006 apresentou no Festival de Inverno de Ouro Preto/MG envolvendo na época a Benvinda Cia de Dança. Este trabalho faz parte do repertório vivo da Artista Dudude Herrmann e sua intenção é envolver vários performances em outras cidades, possibilitando uma experienciação de caráter improvisacional. “Este trabalho está localizado no terreno da performance, acontecendo em espaços ‘não-teatros’. Apóia-se em estruturas sonoras interconectadas com estados de dança, que modificam e dão um estranhamento ao espaço habitado. Paisagens sonoras são composições eletroacústicas fronteiriças entre a música e o ruído que modulam ambos, construindo assim diferenças que não se reduzem nem ao ruído nem à música em escutas e interpretações possíveis. O som traz o espaço e são os corpos animados que trazem contexto e vida para tal acontecimento. Não há coreografia pré-determinada e cada um desses intérpretes criam à sua maneira espaços corporais e incorporais na sua interação com os ambientes e sons. Optamos por fazer no período da luz do dia. O público freqüenta a apresentação circulando livremente. ‘Como Habitar uma Paisagem Sonora’ utiliza ações que corroboram diretamente o uso das ações físicas: comer, devorar, vomitar, ampliar, fisgar, deslizar, aparecer, existir, pousar, pisar, fustigar, resfolegar são algumas das diversas maneiras de persuadir tal paisagem.”

Dudude Herrmann

Bailarina, improvisadora, coreógrafa, diretora de espetáculos e professora de dança. Inicia seus estudos nos anos 70 como parte da geração do Grupo Trans-Forma BH/MG. Dirigiu seu estúdio de 1994 a junho/2009, Dirigiu a Benvinda Cia de Dança de 1992 a março/2008. Foi bolsista do Ministério da Cultura do Brasil – projeto Bolsa Virtuose 2000, em residência no Centro Coreográfico de Orleans a convite de Josej Nadj. Em 2003/2004 desenvolveu seu projeto “Poética de um Andarilho – a escrita do movimento no espaço de fora” viabilizado pelas Bolsas Vitae de Artes. É idealizadora do Ciclo de Confluências - Idéias de... Desde 2006, ministra cursos e oficinas focados no conhecimento da linguagem da improvisação. Desenvolve parcerias criativas com artistas múltiplos. Segue trabalhando interessada e curiosa em assuntos de arte/vida.

Curso de Tecnologia Cênica


O Distrito Federal possui diversos equipamentos e instalações apropriadas ao fazer cultural que necessitam de trabalhadores especializados, dominando conhecimentos diversificados.

Essa demanda esbarra na falta de cursos de qualificação profissional adequados à área, o que dificulta o intercâmbio e a formação técnica específica.

As produções que aqui passam em temporada necessitam além do elenco, trazer técnicos, o que encarece sobremaneira os eventos.

O Curso de Tecnologia Cênica, uma realização do Ponto de Cultura ESTEC - Estúdio de Tecnologia Cênica, administrado pelo NAC - Núcleo de Arte e Cultura é patrocinado pelo Ministério da Cultura, dentro do Programa Cultura Viva e tem como intuito qualificar técnicos, em habilitações diferentes e fundamentais à produção de eventos culturais.

Neste mês de setembro, serão oferecidos gratuitamente 8 cursos: bilheteria, portaria, produção, cenografia, figurino, cenotécnica, adereços e montador de exposição, qualificações profissionais extremamente carentes aqui em Brasília.

Em 2010 está prevista a realização da terceira etapa onde serão oferecidos cursos de contra-regra, alfaiataria teatral, pintura de cenário, e costura teatral.

Público alvo: Terão prioridade de inscrição jovens maiores de 16 anos oriundos do ensino médio, sem qualquer qualificação profissional, profissionais desempregados de áreas afins e pessoas que já atuam em grupos e companhias sem terem tido aprendizado sistemático.

Em alguns cursos serão atendidos portadores de necessidades especiais.

Serviço:

Cursos de Tecnologia Cênica

Custo: gratuito

Inscrições: de 08/09/09 a 30/09/09, das 14 às 18h30 horas

Obs: Levar cópia de do RG e CPF.

Início dos cursos: 05/10/09

Local: NAC - Núcleo de Arte e Cultura, Teatro Goldoni - Casa d'Italia.

Endereço: EQS 208/209 em frente à Estação 108 do metrô, na saída do eixo L

E-mail: nac@nac.org.br

Mais informações poderão ser obtidas pelo telefone 3443-0606, 8541-9446 com Patrícia Ferraz ou Salvani da Silva.

domingo, 27 de setembro de 2009

VII Encontro de Teatro de Lagos


26 Outubro a 15 Novembro 2009

O Encontro de Teatro de Lagos pretende oferecer à população do concelho espectáculos de teatro, música e dança, de forma a promover as artes do espectáculo, bem como apostar na descentralização da cultura e na pluralidade de públicos.

Declaração de Princípios



Preambulo

1. O objetivo básico do Teatro do Oprimido é o de Humanizar a Humanidade.
2. O Teatro do Oprimido é um sistema de Exercícios, Jogos e Técnicas Especiais baseadas no Teatro Essencial, que busca ajudar homens e mulheres a desenvolverem o que já trazem em si mesmos: o teatro.
O Teatro Essencial
3. Todo ser humano é teatro!
4. O teatro se define pela existência simultânea — dentro do mesmo espaço e no mesmo contexto — de espectadores e atores. Todo ser humano é capaz de ver a situação e de ver-se, a si mesmo, em situação.
5. O Teatro Essencial consiste em três elementos principais: Teatro Subjetivo, Teatro Objetivo e Linguagem Teatral.
6. Todo ser humano é capaz de atuar: para que sobreviva, deve produzir ações e observar o efeito de suas ações sobre o meio exterior. Ser humano é ser teatro: ator e espectador co-existem no mesmo indivíduo. Esta co-existência é o Teatro Subjetivo.
7. Quando um ser humano se limita a observar uma coisa, pessoa ou espaço, renunciando momentaneamente à sua capacidade e à sua necessidade de produzir ações, a energia e o seu desejo de agir são transferidos para essa coisa, pessoa ou espaço, criando, assim, um espaço dentro do espaço: o Espaço Estético. Este é oTeatro Objetivo.
8. Todos os seres humanos utilizam, na vida diária, a mesma linguagem que os atores usam no palco: suas vozes e seus corpos, movimentos e expressões físicas. Traduzem suas emoções, desejos e idéias em uma Linguagem Teatral.
Teatro do Oprimido
9. O Teatro do Oprimido oferece aos cidadãos os meios estéticos de analisarem seu passado, no contexto do presente, para que possam inventar seu futuro, ao invés de esperar por ele. O Teatro do Oprimido ajuda os seres humanos a recuperarem uma linguagem artística que já possuem, e a aprender a viver em sociedade através do jogo teatral. Aprendemos a sentir, sentindo; a pensar, pensando; a agir, agindo. Teatro do Oprimido é um ensaio para a realidade.
10. Oprimidos são aqueles indivíduos ou grupos que são, social, cultural, política, econômica, racial ou sexualmente despossuídos do seu direito ao Diálogo ou, de qualquer forma, diminuídos no exercício desse direito.
11. Diálogoé definido como o livre intercâmbio com os Outros, individual ou coletivamente; como a livre participação na sociedade humana entre iguais; e pelo respeito às diferenças e pelo direito de ser respeitado.
12. O Teatro do Oprimido se baseia no Princípio de que todas as relações humanas deveriam ser de natureza dialógica: entre homens e mulheres, raças, famílias, grupos e nações, sempre o diálogo deveria prevalecer. Na realidade, os diálogos têm a tendência a se transformarem em monólogos que terminam por criarem a relação Opressores-Oprimidos. Reconhecendo esta realidade, o princípio fundamental do Teatro do Oprimido é o de ajudar e promover a restauração do Diálogo entre os seres humanos.
Princípios e Objetivos
13. O Teatro do Oprimido é um movimento estético mundial, não-violento, que busca a paz, mas não a passividade.
14. O Teatro do Oprimido procura ativar os cidadãos na tarefa humanística expressa pelo seu próprio nome: teatro do, por e parao oprimido. Nele, os cidadãos agem na ficção do teatro para se tornarem, depois, protagonistas de suas próprias vidas
15. O Teatro do Oprimido não é uma ideologia nem um partido político, não é dogmático nem coercitivo, e respeita todas as culturas. É um método de análise, e um meio de tornar as pessoas mais felizes. Por causa da sua natureza humanística e democrática, o TO está sendo amplamente usado em todo o mundo, em todos os campos da atividade social como, por exemplo, na educação, cultura, artes, política, trabalho social, psicoterapias, programas de alfabetização e na saúde. No Anexo desta Declaração de Princípios, alguns projetos exemplares são apresentados para ilustrar a natureza e o escopo deste Método teatral.
16. O Teatro do Oprimido está sendo usado em dezenas de países de todo o mundo, aqui relacionados em Anexos, como um instrumento poderoso para a descoberta de si mesmo e do Outro; para clarificar e expressar os desejos dos seus praticantes; como instrumento para modificar as causas que produzem infelicidade e dor; para desenvolver todas aquelas características que trazem a Paz; para respeitar as diferenças entre indivíduos e grupos; para a inclusão de todos os seres humanos no Diálogo necessário a uma sociedade harmoniosa; finalmente, também está sendo usado como instrumento para a obtenção da justiça econômica e social, que é o fundamento da verdadeira Democracia. Em resumo, o objetivo mais geral do Teatro do Oprimido é o desenvolvimento dos Direitos Humanos essenciais.
A ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DO TEATRO DO OPRIMIDO (AITO)
17. A AITO é uma organização que coordena e promove o desenvolvimento do Teatro do Oprimido em todo o mundo, de acordo com os princípios e os objetivos desta Declaração.
18. A AITO cumpre este objetivo inter-relacionando os praticantes do Teatro do Oprimido em uma rede mundial, promovendo a troca entre eles, e o seu desenvolvimento metodológico; facilitando o treinamento e a multiplicação das técnicas existentes; concebendo e executando projetos em escala mundial; estimulando a criação local de Centros do Teatro do Oprimido (CTOs); promovendo e criando condições de trabalho para os CTOs e os seus praticantes, e criando um ponto de encontro internacional na Internet.
19. A AITO tem os mesmos princípios e objetivos humanísticos e democráticos do Teatro do Oprimido, e vai incorporar todas as contribuições de todos aqueles que trabalharem dentro desta Declaração de Princípios.
20. A AITO entende que todos aqueles que trabalham usando as várias técnicas do Teatro do Oprimido, subscrevem esta mesmaDeclaração de Princípios.

O Teatro do Oprimido


Nasceu em 1971 no Brasil, sob a forma muito jovem de Teatro Jornal e com o objetivo específico de lidar com problemas locais — rapidamente, passou a ser usado em todo o país. O Teatro Fórum veio à luz no Peru, em 1973, como parte de um Programa de Alfabetização; pensamos que seria bom apenas para a América do Sul — hoje é praticado em mais de 70 países. Continuando a crescer, o TO desenvolveu o Teatro Invisível na Argentina, como atividade política, e oTeatro Imagem, para estabelecer um diálogo entre as Nações Indígenas e os descendentes de espanhóis na Colômbia, na Venezuela, no México... Hoje, essas formas são usadas em todos os tipos de diálogos.
Na Europa, o TO se expandiu e veio à luz o Arco-Íris do Desejo— inicialmente para entender problemas psicológicos, mais tarde para criar personagens em quaisquer peças. De volta ao Brasil, nasceu o Teatro Legislativo, para ajudar a transformar o Desejo da população em Lei — o que chegou a acontecer 13 vezes. Agora, o Teatro Subjuntivo está, pouco a pouco, vindo à luz.
Nós descobrimos que todas essas formas, independente de onde foram criadas, poderiam ser desenvolvidas em todo o mundo, porque são simplesmente uma Linguagem Humana.
O TO era usado por camponeses e operários; depois, por professores e estudantes; agora, também por artistas, trabalhadores sociais, psicoterapeutas, ONGs... Primeiro, em lugares pequenos e quase clandestinos. Agora, nas ruas, escolas, igrejas, sindicatos, teatros regulares, prisões...
O Teatro do Oprimidoé o Jogo do Diálogo: nós jogamos e aprendemos juntos. Todos os tipos de Jogos devem ter Disciplina — regras claras que devemos seguir. Ao mesmo tempo, Jogos têm precisão absoluta de criatividade e Liberdade. O TO é a síntese perfeita das antitéticas Disciplina eLiberdade. Sem Disciplina, não há Vida Social; sem Liberdade, não há Vida.
A Disciplina do nosso Jogo é nossa crença de que devemos re-estabelecer o direito de todos viverem dignamente. Acreditamos que todos nós somos mais e muito melhores do que pensamos ser. Nós acreditamos em solidariedade.
Nossa Liberdade é inventar meios de ajudar a humanizar a Humanidade, livremente invadindo todos os campos das atividades humanas: social, pedagógico, político, artístico... O Teatro é uma Linguagem e, por isso, pode ser usado para falar de todas as preocupações humanas, não ficando limitado ao próprio teatro.
Nós acreditamos na Paz, não na Passividade!
Acima de tudo, nós acreditamos que o Teatro do Oprimido é de, sobre, por e para os Oprimidos, como está claro em nossa Declaração de Princípios. Se você concorda com isso, nós certamente concordamos com você.

Augusto Boal - Nossa Razão de Existir



Augusto Pinto Boal
(Rio de Janeiro, 16 de março de 1931 — Rio de Janeiro, 2 de Maio de2009) foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.

Nas palavras de Boal:
O dramaturgo é conhecido não só por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970), mas sobretudo por suas teses do Teatro do oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire.
Tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas.
O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.

Família e estudos

Augusto Boal nasceu no subúrbio da Penha, Rio de Janeiro.[2] Filho do padeiro português José Augusto Boal e da dona de casa Albertina Pinto, desde os nove anos dirigia peças familiares, com seus três irmãos. Aos 18 anos vai estudar Engenharia Química na antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, e paralelamente escrevia textos teatrais.

Na década de 1950 enquanto realizava estudos em nível de Ph.D em Engenharia Química, na Columbia University, em Nova York,[3], estuda dramaturgia na School of Dramatics Arts, também na Columbia, com John Gassner, professor de Tennessee Williams e Arthur Miller. Na mesma época, assistia às montagens do Actors Studio.

Teatro de Arena

De volta ao Brasil, em 1956, passa a integrar o Teatro de Arena de São Paulo, a convite de Sábato Magaldi e José Renato. O Arena tornou-se uma das mais importantes companhias de teatro brasileiras, até o seu fechamento, no fim da década de 1960.
Sua primeira direção é Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe valeu o prêmio de revelação de direção da Associação Paulista de Críticos de Artes, em 1956. Seu primeiro texto encenado foi Marido Magro, Mulher Chata, uma comédia de costumes. Depois de uma série de insucessos comerciais e diante da perspectiva de fechamento do Arena, a companhia decide investir em textos de autores brasileiros. Superando as expectativas Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato, torna-se um grande sucesso, salvando o Arena da bancarrota. O grupo ressurge, provocando uma verdadeira revolução na cena brasileira, abrindo caminho para uma dramaturgia nacional.
Para prosseguir na investigação de um teatro voltado para a realidade do Brasil, Boal sugere a criação de um Seminário de Dramaturgia que se tornará o celeiro de vários novos dramaturgos. As produções, fruto desses encontros, vão compor o repertório da fase nacionalista do conjunto nos anos seguintes. Sob direção de Boal o Arena apresenta Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, 1959, segundo êxito nessa vertente.

Arena e Oficina

Depois de dirigir, em 1959 A Farsa da Esposa Perfeita, de Edy Lima, Boal apresenta Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, em 1960, uma produção conjunta entre o Arena e o Teatro Oficina, através da qual orienta um curso de interpretação. Dirige também, para o Oficina A Engrenagem, adaptação dele e de José Celso Martinez Corrêa do texto de Jean-Paul Sartre.

Em 1961, Antônio Abujamra dirige um outro texto de Boal, José, do Parto à Sepultura, com os atores do Oficina, que estréia no Teatro de Arena. No mesmo ano, o espetáculo Revolução na América do Sul estréia, com direção de José Renato. Augusto Boal se torna um dos mais importantes dramaturgos do período.

Em 1962, o Arena inicia nova fase: a nacionalização dos clássicos. José Renato deixa a companhia e Boal torna-se líder absoluto e sócio do empreendimento. Encerra-se a leva de encenações dos textos produzidos no Seminário de Dramaturgia.

Em 1963 encena O Noviço, de Martins Pena e Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, no teatro Oficina, em colaboração com grandes artistas do teatro brasileiro, tais como o cenógrafo Flávio Império e Eugênio Kusnet, responsável pela preparação dos atores. Ainda desta fase são O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega e Tartufo, de Molière, produções de 1964.

Depois do golpe militar, Boal dirige no Rio de Janeiro o show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão - depois substituída por Maria Bethânia). A iniciativa surge de um grupo de autores (Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa) ligados ao Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, posto na ilegalidade. O grupo pretendia criar um foco de resistência política através da arte. De fato evento é um sucesso e contagia diversos outros setores artísticos. O Opinião 65, exposição de artes plásticas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), surge na seqüência, aglutinando os artistas ligados aos movimentos de arte popular. Esse é o nascedouro do Grupo Opinião.

Musicais

A partir de Opinião, Boal inicia o ciclo de musicais no Arena, com Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, apresentando Arena Conta Zumbi(1965), primeiro experimento com o sistema curinga [4] onde oito atores se revezam, fazendo todas as personagens. O sucesso de público abre caminho para Arena Conta Bahia, com direção musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e Maria Bethânia e Tom Zé no elenco.
Em seguida, é encenado Tempo de Guerra, no Oficina, com texto de Boal e Guarnieri, poemas de Brecht e vozes de Gil, Maria da Graça (Gal Costa), Tom Zé e Maria Bethânia, sob a direção de Boal. No ano seguinte, é a vez do espetáculo Arena Conta Tiradentes, centrado em outro movimento histórico de luta nacional - a Inconfidência Mineira. Também uma aplicação do sistema curinga, a peça não propõe retratar os fatos de forma ortodoxa e cronológica, mas criar conexões com fatos, tipos e personagens que se referem constantemente ao período pré e pós-1964.

A Primeira Feira Paulista de Opinião, concebida e encenada por Boal no Teatro Ruth Escobar, é uma reunião de textos curtos de vários autores - um depoimento teatral sobre o Brasil de 1968. Estão presentes textos de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos e do próprio Boal. O diretor apresenta o espetáculo na íntegra, ignorando os mais de 70 cortes estabelecidos pela censura, incitando a desobediência civil e lutando arduamente pela permanência da peça em cartaz, depois de sua proibição.

Exílio

Com a decretação do Ato Institucional nº 5, em fins de 1968, o Arena viaja para fora do país, excursionando, entre 1969 e 1970 pelos Estados Unidos, México, Peru e Argentina. Boal escreve e dirige Arena Conta Bolivar. Em seu retorno, com uma equipe de jovens recém-saídos de um curso no Arena, cria o Teatro Jornal - 1ª Edição, experiência que aproveita técnicas do agitprop e do Living Newspaper, grupo norte-americano dos anos 1930 que trabalhava com dramatizações a partir de notícias de jornal.

A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Brecht, é a última incursão de Boal no sistema curinga, que entretanto não acrescenta grandes novidades na linguagem do grupo.
Em 1971, Boal é preso e torturado. Na seqüência, decide deixar o país, com destino à Argentina, terra de sua esposa, a psicanalista Cecília Boal. Lá permanece por cinco anos e desenvolve o Teatro Invisível. Naquele mesmo ano, Torquemada, um texto seu sobre a Inquisição, é encenado em Buenos Aires.
Em 1973, vai para o Peru, onde aplica suas técnicas num programa de alfabetização integral e começa a fazer o Teatro Fórum. Em 1974, seu texto Tio Patinhas e a Pílula é encenado em Nova York.

No Equador, desenvolve, com populações indígenas, o Teatro Imagem. Esse período é representado por Boal em seu texto Murro em Ponta de Faca.
Muda-se para Portugal, onde permanecerá por dois anos. Ali, com o grupo A Barraca, realiza a montagem A Barraca Conta Tiradentes, 1977. Lá também escreve Mulheres de Atenas, uma adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque.
Finalmente, a partir de 1978 estabelece-se em Paris, onde cria um centro para pesquisa e difusão do teatro do oprimido, o Ceditade (Centre d'étude et de diffusion des techniques actives d'expression). Lá, com ajuda de sua esposa desenvolve um teatro mais interiorizado e subjetivo, o Arco-íris do desejo (Método Boal de Teatro e Terapia).
Enquanto isso, em São Paulo (1978) Paulo José dirige, para a companhia de Othon Bastos, Murro em Ponta de Faca, texto em que Boal enfoca a vida dos exilados políticos.

Boal visita o Brasil em 1979, para ministrar um curso no Rio de Janeiro, retornando, no ano seguinte, juntamente com seu grupo francês, para apresentar o Teatro do Oprimido, já consagrado em muitos países.
Em 1981, promove o I Festival Internacional de Teatro do Oprimido. Volta ao Brasil definitivamente em 1986, instalando-se no Rio, onde inicia o plano piloto da Fábrica de Teatro Popular, que tinha como principal objetivo tornar acessível a qualquer cidadão a linguagem teatral e cria o Centro do Teatro do Oprimido.

Homenagem

Uma das canções de Chico Buarque é uma carta em forma de música - uma carta musicada que ele fez em homenagem a Boal, que vivia no exílio em Lisboa, quando o Brasil estava sob a ditadura militar. A canção Meu Caro Amigo, dirigida a ele, foi gravada originalmente no discoMeus Caros Amigos 1976.

Augusto Pinto Boal é Patrono da Presidente/ALB/Piracicaba/SP Academia de Letras do Brasil. A primeira escritora a imortalizar Augusto Boal em Academia de Letras foi a escritora Branca Tirollo aos 12/08/2009 na cidade de "Piracicaba São Paulo" == Fonte www.albpiracicaba.org
Teatro popular
Boal preconizava que o teatro deve ser um auxiliar das transformações sociais e formar lideranças nas comunidades rurais e nos subúrbios. Para isto organizou uma sucessão de exercícios simples, porém capazes de oferecer o desenvolvimento de uma boa técnica teatral amadora, auxiliando a formação do ator de teatro.

Nobel

Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, em virtude de seu trabalho com o Teatro do Oprimido.
Em março de 2009, foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.

Morte

Augusto Boal morreu por volta das 2h40' do dia 2 de maio de 2009, aos 78 anos, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por insuficiência respiratória. Boal sofria de leucemia.

Sobre a importância de Boal para o Teatro

Suas idéias, adotadas em diversas iniciativas em todo o mundo, renderam-lhe um reconhecimento que pode ser expresso nos seguintes comentários, que figuram no seu livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas (ISBN 85-2000-0265-X):
"Boal conseguiu fazer aquilo com que Brecht apenas sonhou e escreveu: um teatro alegre e instrutivo. Uma forma de terapia social. Mais do que qualquer outro homem de teatro vivo, Boal está tendo um enorme impacto mundial" - Richard Schechner, diretor de The Drama Review.

"Augusto Boal reinventou o teatro político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislawski." - The Guardian.

Prêmios

1962 : Prêmio PADRE VENTURA, melhor diretor - São Paulo
1963 – Premio SACY, melhor diretor, São Paulo
1965 – Premio SACY, São Paulo, Brésil
1959-1965 – Vários prêmios de Associações de Críticos de Teatro do Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e São Paulo
1965 - Prêmio MOLIÈRE pelo espetáculo A Mandrágora de Machiavel - Brasil
1967 - Prêmio MOLIÈRE pela criação do "Sistema Curinga" - Brasil
1971 -OBIE AWARD para o melhor espetáculo off - Broadway. LATIN AMERICAN FAIR OF OPINION, EUA
1981 - OFFICIER DES ARTS ET DES LETTRES – Ministère de la Culture, França
1981 – Prémio OLLANTAY, de Creación y Investigación Teatral, CELCIT, Venezuela
1994 - Prêmio CULTURAL AWARD da cidade de Gävle, Suécia
1994 - Medalha PABLO PICASSO da UNESCO
1995 - OUTSTANDING CULTURAL CONTRIBUTION - Academy of the Arts - Queensland University of Technology, Austrália
1995 - PRIX CULTURAL - Institut Für Jugendarbeit - Gauting, Baviera
1995 - THE BEST SPECIAL PRESENTATION - Manchester News – UK
1996 – Doctor Honoris Causa in Humane Letters, University of Nebraska, EUA
TRADITA INNOVARE, INNOVATA TRADERE, University of Göteborg, Suécia
1997 - LIFETIME ACHIEVEMENT AWARD, American Theatre Association in Higher Education, ATHE, EUA
- PRIX DU MÉRITE, Ministère de la Culture do Egito
1998 – PREMI D´HONOR, Institutet de Teatre, Barcelona, Espanha
– PREMIO DE HONOR, Instituto de Teatro, Ciudad de Puebla, México
1999 - Honra ao mérito. União e Olho Vivo. Brasil.
2000 – Proclamation of the City of Bowling Green, Ohio. EUA
– Doctor Honoris Causa in Fine Arts, Worcester State College, EUA
– Montgomery Fellow, Dartmouth College, Hanover, EUA
2001 – Nominated (for July, 2001) DOCTOR HONORIS CAUSA in Literature, University of London, Queen Mary, UK
International Award for Contribution of Development of Drama Education „Grozdanin kikot“.
2002 – Baluarte do Samba, homenagem da Escola de Samba Acadêmicos da Barra da Tijuca
2005 – Comendador Governo Federal. Brasil.
2008 - Crossborder Award for Peace and Democracy.

Livros publicados:

Em português
Arena conta Tiradentes. São Paulo: Sagarana,1967.
Crônicas de Nuestra América. São Paulo: Codecri, 1973.
Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário. São Paulo: Hucitec, 1975.
Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira. 1975.
Jane Spitfire. Rio de Janeiro: Codecri,1977.
Murro em Ponta de Faca. São Paulo: Hucitec, 1978.
Milagre no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
Stop: ces’t magique. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
Teatro de Augusto Boal. vol.1. São Paulo: Hucitec,1986.
Teatro de Augusto Boal. vol.2. São Paulo: Hucitec,1986.
O Corsário do Rei. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986.
O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990.
O Suicida com Medo da Morte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992
Teatro legislativo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.
Aqui Ninguém é Burro! Rio de Janeiro: Revan, 1996
Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
Hamlet e o filho do padeiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira – 2000
O teatro como arte marcial. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.

Em alemão
Ehemann mager, Frau flachl Verlag der Autoren, 1957.
Revolution auf südamerikanisch. Verlag der Autoren. 1960.
José von der Wiege bis zur Bahre. Verlag der Autoren, 1961.
Arena erzählt Zumbí. Verlag der Autoren, 1965.
Kriegszeit. Verlag der Autoren, 1967.
Theaterzeitung, Erstausgabe. Verlag der Autoren, 1970.
Das große internationale Abkommen des Onkel Sam. Verlag der Autoren, 1971.
Torquemada (entstanden während seiner Haft in Brasilien). Verlag der Autoren, 1971.
Mit der Faust ins offene Messer, ISBN 3-88661-035-7
Em dinamarquês
Lystens regnbue - Boals metode for teater of terapi, Drama, 2000.
Spil! - øvelser og lege for skuespillere og medspillere, Drama, 1995.
Teatret som krigskunst (O Teatro como arte marcial). Tradução de Niels Damkjær, 2004.

Em espanhol
Categorias de Teatro Popular. Buenos Aires: Ediciones Cepe, 1972.

Em finlandês
Draamaa ja teatteria yhteisöissä, Ventola&Renlund (toim.), 2005.

Em francês
Théâtre de l’opprimé. Éditions La Découverte, 1996.
Jeux pour acteurs et non-acteurs. Éditions François Maspero, 1978.
Pratique du théâtre de l’opprimé. Centre d’étude et de diffusion des techniques actives d’expression, 1983.
Stop ! c’est magique. Éditions Hachette, 1980.
Méthode Boal de théâtre et de thérapie. Éditions Ramsay, 1990.
L’Arc-en-ciel du désir. Éditions La Découverte, 2002.

Em inglês


Theatre of the Oppressed. Londres: Pluto Press, 1979.
Games for Actors and Non-Actors. London: Routledge, 1992.
The Rainbow of Desire. London: Routledge, 1995.
Legislative Theatre: Using Performance to Make Politics. London: Routledge, 1998.
Hamlet and the Baker's Son: My Life in Theatre and Politics. London: Routledge, 2001.
The Aesthetics of the Oppressed. London: Routledge, 2006.

Norueguês (bokmål)
De undertryktes teater, 1974.
Games for Actors and Non-Actors, 1992.
The Rainbow of Desire, the Boal Method of Theatre and Therapy, 1995.
(Nota: Há duas formas oficiais do norueguês escrito em uso na atualidade, o bokmål (que literalmente significa língua dos livros) e o nynorsk (novo norueguês).

Suéco
De förtrycktas teater, tradução de Marianne Eyre & Loreta Valadares. Stockholm: Gidlund [Sweden], 1979.
Associação Internacional do Teatro do Oprimido (AITO)

sábado, 26 de setembro de 2009

Décadas de 70 e 80


Apesar dos tempos difíceis a arte cênica evoluí em quantidade e qualidade. Ademar Guerra dirige: Missa Leiga (1972) e Mahagonny (1976), Antônio Bivar com Cordélia Brasil; Leilah Assunção com Fala Baixo, Senão eu Grito, Consuelo de Castro com Á Flor da Pele, José Vicente com O Assalto. Nos anos 70 o teatro esteve sob ás vistas da censura, mas mesmo mutilado atingiu picos de criatividade que o colocou entre os melhores do mundo. Contou com montagens históricas: O Balcão de Jean Genet (1970) dirigido por Victor Garcia; Macunaima de Mário de Andrade direção de Antunes Filho (1978); Gota D’água de Paulo Pontes e Chico Buarque (1979). Com o relaxamento da Censura foi possível encenar: Rasga Coração de Oduvaldo Viana Filho e Sinal de Vida de Lauro César Múniz.
Surgem novos dramaturgos: Fauzi Arap com Pano de Boca; Carlos Queirós Telles com Muro Arrimo; Maria Adelaide Amaral com Bodas de Papel; e João Ribeiro Chaves Neto com Patética. Esta peça tem por tema o jornalista Vladimir Hersog, torturado e morto no tempo da ditadura militar.
Ainda nessa década proliferaram vários grupos teatrais, muitos deles diferindo-se pela experimentação. São Eles: Asdrubal Trouxe o Trombone; o Royal Bexiga’s Company; Pessoal do Victor. Há ainda o grupo Ornitorrinco, dirigido por Cacá Roset; grupo Macunaíma; o grupo Tapa dirigido por Eduardo Tolentino. Além dos diretores mencionados merecem destaque: Oswaldo Mendes, Márcio Aurélio, Roberto Lage, José Possi Neto, Bia Lessa, Ulisses Cruz.

Décadas de 50 e 60



O TBC predominou nas atividades teatrais até o aparecimento do Teatro de Arena. Seu fundador foi o industrial paulista Franco Zampari e o elenco inicial, constituído de amadores, contava apenas com uma profissional: Cacilda Becker. Foram contratados encenadores italianos: Luciano Salce, Ruggero Jacobi, Adolfo Celi, Flaminio Bollini Cerri, Gianni Ratto e o polonês Ziembinski. O TBC é um marco. Surge depois do fim da ditadura de Vargas produzido pela burguesia, para a burguesia, importando técnica e repertório. Introduz definitivamente a estrutura profissional do teatro brasileiro, cria uma mentalidade nova de respeito e estudo, coloca os espectadores em contato com um nível superior de dramaturgia.

Forma um grande número de intérpretes que ao se dispersar vão formar outras companhias. Ex: Nídia Lícia – Sérgio Cardoso; Tônia – Celi – Autran; Teatro Cacilda Becker; Teatro dos Sete. O repertório era clássico e internacional exceção feita a Abílio Pereira de Almeida. Em 1948, Alfredo Mesquita funda a EAD (Escola de Arte Dramática) juntando o Grupo Universitário de Teatro (GUT) e o Grupo Teatro Experimental (GTE). Essa escola passa a formar profissionais para o TBC, e também os elementos que irão formar o Teatro de Arena e o Teatro Oficina.
Com a retirada dos diretores italianos, Flávio Rangel e Antunes Filho assumiram o TBC. Os novos espetáculos revelavam uma proposta nova e revolucionária - como forma e conteúdo. O povo entrou em cena no TBC conduzido por Flávio Rangel e Antunes Filho. O povo baiano de Pagador de Promessas e Revolução dos Beatos (Dias Gomes), o povo espanhol com Yerma (Garcia Lorca), os camponeses fanáticos de Vereda da Salvação (Jorge Andrade) e principalmente os operários de A Semente (Guarnieri). Pela primeira vez as paredes do TBC ouviam debates políticos e estremeceram, o público burguês, também deve ter estremecido.
O estrondoso sucesso de Ossos do Barão (Jorge Andrade), foi o fim entre festivo e melancólico do TBC.
Em 1955 surge A Moratória obra do dramaturgo paulista Jorge Andrade. Esta obra vai inscrever o seu autor na literatura social brasileira. A peça aborda a decadência da aristocracia paulista devido à crise cafeeira da década de 30. Além de grande sucesso a obra mereceu o prêmio Jornal do Brasil e prêmio viagem aos Estados Unidos. A Moratória, A Escada e Os Ossos do Barão retratam a decadência de uma classe social (a aristocracia rural) e a ascensão do imigrante provocada pela industrialização – fatos marcantes da história de São Paulo e do Brasil. Simultaneamente ao TBC surge em Recife o Teatro dos Amadores de Pernambuco com o um repertório fora dos moldes comerciais, com a colaboração de diretores dos teatros paulista e carioca, inclusive Ziembinski.
Nesse teatro, em 1955 foi estreada a peça O Auto da Compadecida do dramaturgo paraibano Ariano Suassuna que escreveu também: O Santo e a Porca, A Pena e a Lei, Auto de João da Cruz, Farsa da Boa Preguiça e O Casamento Suspeitoso.


O Teatro de Arena, fundado em São Paulo, em 1955, iniciou-se sob a direção de José Renato á frente de um grupo de ex-alunos da EAD e outros estudiosos e interessados em arte cênica. Formavam um grupo de nacionalistas que pretendia revitalizar o teatro com novas formulações, inclusive pesquisar um estilo original de montagem. Do grupo inicial faziam parte: Gianfrancesco Guarnieri, Flávio Migliaccio, Oduvaldo Viana Filho; outros mais foram aderindo a essa proposta de renovação teatral em nível de interpretação e encenação – um estilo brasileiro de fazer teatro, entre eles: Ziembinski, Augusto Boal, Flávio Império. ((O projeto desenvolveu-se em 4 etapas: 1º) Um laboratório de interpretação – baseado em Stanislavski: dirigido por Ziembinski; 2º) Um seminário de dramaturgia – cujo primeiro resultado foi Eles não Usam Black–Tie de Gianfrancesco Guarnieri (1958). Até o ano de 1962 muitos estreantes foram lançados: Oduvaldo Viana Filho com Chapetuba Futebol Clube; Roberto Freire com Gente como a Gente; Edy Lima com A Farsa da Esposa Perfeita; Augusto Boal com A Revolução na América do Sul; Flávio Migliaccio com Pintado de Alegre; Francisco de Assis com O Testamento do Cangaceiro; Benedito Ruy Barbosa com Fogo Frio. 3º) A nacionalização dos clássicos – A primeira das peças foi: Mandrágora de Maquiavel, o primeiro ideólogo de uma burguesia nascente; outros clássicos foram O Noviço de Martins Pena; O melhor Juiz o Rei, de Lope de Vega; O Tartufo, de Molière; O Inspetor Geral, de Gogol. Essa fase foi fortemente marcada pela encenação de Flávio Império – um celeiro tipicamente europeu era substituído por algumas palhas de milho no chão, um tijolo significava uma parede. 4º) Os musicais do Arena de maior sucesso foram: A Criação do Mundo Segundo Ari Toledo; Um Americano em Brasília de Nelson Lins de Barros, Francisco de Assis e Carlos Lyra; Arena Conta Bahia com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Tom Zé; Tempo de Guerra com Maria Bethânia. O mais importante de todos foi Arena Conta Zumbi de Guarnieri e Boal, musicado por Edu Lobo, com enorme sucesso para a música Upa Neguinho.
Com o Musical Arena Conta Tiradentes surge a grande novidade: a criação do coringa.
Coringa é uma forma permanente de fazer teatro – estrutura de texto, de encenação e elenco – que incluía em seu bojo todos os instrumentais de todos os estilos. Há um ecletismo de gêneros e de estilos em um mesmo texto, desde o melodrama até a chanchada. Em Zumbi, algumas cenas como a do Banzo tendiam ao expressionismo, a cena do Padre e a da Senhora Dona eram realistas, a da Ave Maria era simbolista, a cena do Twist era quase surrealista. A realidade do coringa é mágica, ele a cria. Se for nessessário inventa muros, combates, banquetes, soldados, exércitos; para lutar inventa uma arma, para cavalgar inventa um cavalo; o fato histórico do Grito do Ipiranga é substituído pelo hino nacional. No sistema coringa há a desvinculação do ator – personagem; em Zumbi cada ator foi obrigado a interpretar todos os personagens. As metas do coringa têm o caráter estético - econômico.
Década de 60. Em 64: Golpe de estado. Abolição da constituição. Suspensão dos direitos adquiridos. Regime autoritário. Militarismo. Entretanto pela quantidade e qualidade essa foi a época de ouro da dramaturgia nacional. O teatro de Arena (São Paulo) encena Arena Conta Zumbi e o Teatro Arena do Rio de Janeiro encena o show Opinião escrito por Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa, Paulo Pontes tendo como diretor Augusto Boal.
O Teatro Oficina – Grupo cultural criado em São Paulo sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, inaugurou suas atividades em 1963 levando à cena um dos mais perfeitos espetáculos realistas já realizados no Brasil: Os Pequenos Burgueses de Gorki. Sobressaiu-se pela audácia de suas experiências e de suas inovações cênicas, aplicou teorias de Brecht a uma peça realista: Os Inimigos, (Gorki).
Em 1966 lançou Roda Viva de Chico Buarque de Holanda. Em 1967 fez a primeira histórica montagem de O Rei da Vela de Oswald de Andrade. Nessa década o teatro universitário encena no TUCA (São Paulo) o poema dramático Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto com direção de Sidney Siqueira, e Plínio Marcos inicia-se na dramaturgia com as peças: Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja. Ademar Guerra dirigiu: O Auto da Compadecida (1960); Oh, que delícia de Guerra (1966); Marat Sade (1967); Hair (1969).






Aparentemente Arena e Oficina são divergentes em suas realizações, mas na verdade, ambos se completam. Os ideais são os mesmos, a diferença está na maneira de tratá-los. O Arena desenvolve primordialmente em trabalho de dramaturgia enquanto o Oficina está inteiramente voltado para a encenação Ambos se empenham numa firme resistência ao golpe militar de 1964. O Arena pára em 1971 após a prisão e exílio de Augusto Boal. O Oficina pára também, logo depois com a prisão e exílio de José Celso Martinez Corrêa.

Décadas de 30 e 40


A década de 30 se inicia com a ascensão de Vargas ao poder e são marcantes no teatro. As companhias estáveis estão se organizando em torno de atores de forte comunicação popular. Os atores são bons, a dramaturgia da época é pobre. Joracy Camargo foi o primeiro a ter a percepção de que era necessário abrir caminhos novos e trazer para a cena o debate de problemas antes inabordáveis. O seu teatro é um veículo de propaganda ou defesa de uma tese social. É um teatro de idéias. A ação dramática gira em torno da crítica da sociedade burguesa. A peça Deus lhe Pague, estrondoso sucesso de interpretação de Procópio Ferreira, estreou em 1932 e chegou a ser proibida por algum tempo como subversiva; só com muito esforço foi liberada. Enfim com essa peça de Joracy Camargo inicia-se a modernização da dramaturgia nacional.
Frutos tardios do modernismo surgem nessa década: Bailado de Deus Morto de Flávio de Carvalho (1933), O Rei da Vela (1933), O Homem e o Cavalo (1934) e a Morta (1937), três obras do modernista Oswald de Andrade. Essas quatro peças foram impedidas de serem encenadas pela censura vigente no governo ditatorial de Vargas. Trinta e quatro anos depois (1967), José Celso Martinez Corrêa encenou o Rei da Vela, no Teatro Oficina, com magnifica interpretação de Renato Borghi. Em 1936 organiza-se em São Paulo um grupo de teatro amador que encena no Teatro Municipal a peça Noite de São João e em 1938 o drama A Casa Assombrada escrita e dirigida por Alfredo Mesquita que também estreiou no Teatro Municipal de São Paulo.
Em 1938, Paschoal Carlos Magno, com um grupo de jovens não profissionais, funda no Rio de Janeiro o Teatro do Estudante do Brasil. Seu repertório era Shakeaspereano (Romeu e Julieta, Hamlet); dele sairam grandes atores, entre os quais Sérgio Cardoso. Durante o Estado Novo (1937-1945) a ditadura de Vargas procurou sufocar o teatro, que, entretanto vai sobreviver graças ao Teatro de Revista que vive a sua fase maior de sucesso explorando e divulgando ao máximo a ideologia populista.
Em 1941, no Rio de Janeiro forma-se um grupo teatral, Os Comediantes. Em São Paulo em 1942 o grupo de teatro amador de Alfredo Mesquita passa a constituir o GTE (Grupo Teatro Experimental). Em 1946 é formado o Grupo Universitário de Teatro, o GUT, de Décio de Almeida Prado. Os Comediantes através da direção do polonês Ziembinski, formado na escola expressionista européia, transforma-se em grupo pioneiro do teatro moderno, principalmente quanto à montagem de cenários e de peças. Toda a importância do intérprete principal transfere-se para o encenador que anteriormente nem existia. Parte do incomparável sucesso de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, fica para a encenação, a outra parte pertence ao dramaturgo que rasga a superfície da consciência para apreender os processos do subconsciente usando o lema de Artaud “O teatro foi feito para abrir coletivamente os abcessos”. Esse é o lema do chamado teatro da crueldade. Em 1948 surge em São Paulo o Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC que em 11 de Outubro de 1948 estréia a peça A Voz Humana de Jean Cocteau e A Mulher do Próximo de Abílio Pereira de Almeida.

Os Filodramáticos


O início da industrialização acelerou o movimento de imigração estrangeira na sua maior parte – italianos e espanhóis – que vão formar a classe operária brasileira. Os imigrantes introduziram no país a ideologia anarquista. Uma das maneiras de divulgar suas idéias foi a utilização da atividade teatral. Formaram-se grupos de teatro amador que ficaram conhecidos como Filodramáticos. Por traz dessa iniciativa existia a necessidade de preservação dos costumes. Alguns grupos faziam de seu teatro um veículo de transmissão de suas culturas, poucos achavam que era diversão. Nesses espetáculos, atores e autores (sapateiros, alfaiates, costureiras, etc.) viveram horas diante de uma platéia atenta e participante – uma sociedade justa e solidária. Desse teatro devem ser lembrados os nomes de Itália Fausta e Lélia Abramo.
A deflagração da 1ª grande guerra (1914 – 1918) interrompeu a atuação das companhias estrangeiras. Isolado dos centros culturais o Brasil teve que abrir caminhos por conta própria, tudo aquilo que é nacional passa a ser valorizado. Os poucos dramaturgos passaram a explorar por mais de duas décadas, temas brasileiros, nesse período destacam-se duas peças: Flores de Sombra, de Cláudio de Souza e Onde Canta o Sabiá de Gastão Tojeiro. A comédia de Armando Gonzaga também está presente em: Ministro do Supremo e Cala a Boca Etelvina. Surgem as companhias estáveis que se constituem de profissionais: Procópio Ferreira que estreava como ator em 1917, forma sua própria companhia de teatro. Seguem-se Jaime Costa, Dulcina de Morais, Odilon Azevedo, Abigail Maia, Leopoldo Fróes. Algumas não quiseram ou não puderam renovar-se esteticamente. Durante várias décadas as companhias de Nino Nelo e Sebastião Arruda conservaram-se fiéis ao mesmo estilo para manterem a fidelidade de seu público. São companhias que tem sempre o mesmo cenário, o mesmo repertório e sempre que possível o mesmo elenco. O estrelismo marcou esse período.

As Duas Primeiras Décadas do Século XX


No início do século o quadro sócio-político-econômico mostrava–se cada vez mais nítido, contundente e demasiado cruel para uma linguagem realista do ponto de vista de alguns representantes da literatura e da arte. Esses, reagindo, vão formar uma escola estética denominada simbolismo, que vai usar uma forma de expressão revelando desencanto e decepção, em face do realismo. O sonho, a religião, o misticismo, a fantasia são as fontes do idealismo estético dessa nova dramaturgia. Na época, o simbolismo foi encarado por muitos como um modismo, inócuo e sem significação, tendo recebido de alguns o título de decadentismo e seus seguidores seriam decadentistas. São dramaturgos dessa escola, Coelho Neto com as peças, Quebranto o Diabo no Corpo, Goulart Andrade com o melodrama Os Inconfidentes, João do Rio com Encontro, Paulo Gonçalves com a Comédia do Coração, Roberto Gomes com A Bela Tarde e Canto sem Palavras. Oswald de Andrade juntamente com Guilherme de Almeida que escreveu duas peças em francês: Leur Âme e Mon Coeur Balance. As linhas idealistico-simbolistas irão aparecer mais tarde na eclosão do movimento modernista e mais tarde ainda, na produção ficcional de Clarice Lispector com um Sopro de Vida, interpretação de Marilena Ansaldi, em 1979, no Teatro Ruth Escobar, direção de José Posi Neto.

O Teatro de Revista


O teatro de revista se popularizou através de comediógrafos tendo à frente Artur Azevedo que teve sua primeira revista O Mandarim, estreada em 1884, e que escreveu uma vasta obra de comédias vaudevilles e burletas, destas, houve duas que ficaram famosas: A Capital Federal e O Mambembe. Mas o apogeu do teatro de revista aconteceu nas décadas de 1930 e 1940, sobretudo no Rio de Janeiro coincidindo com a época dos cassinos onde brilharam os atores Oscarito e Grande Otelo, e as cantoras Carmen Miranda e as irmãs Batista.

O Gênero Musical


O gênero musical constituído da opereta e da opera-bufa tinham a preferência do público. Para satisfazer a demanda de textos os autores recorriam à paródia dos espetáculos mais em evidência na cidade de Paris. Os mesmos eram abrasileirados numa linguagem teatral cheia de expressões francesas a propósito e freqüentemente deturpadas. A paródia significa carências de idéias e é incompatível com o nacionalismo. A reação veio através do teatro de revista.

O Realismo


O realismo surge com sua marca inconfundível: a peça de tese e a discussão das mais importantes questões sociais do momento. Um retratista da sociedade brasileira, especialmente a carioca foi Joaquim Manuel de Macedo que escreveu vinte e oito peças entre elas, as comédias: O Fantasma Branco e A Torre em Concurso. Nos meados do século o comediógrafo mais apreciado pelo público era França Júnior, autor de Direito por Linhas Tortas e Caiu o Ministério. O romancista José de Alencar foi o autor da comédia: O Demônio Familiar, do Melodrama Mãe e de Verso e Reverso que ele próprio classificou como “revista ligeira”. O escritor Machado de Assis escreveu Lição de Botânica e Não Consultes Médico. Sua dramaturgia não obteve o mesmo êxito de seus contos e romances o que não empana o mérito de ser o maior crítico teatral brasileiro do século XIX.

Os precursores


O escritor e poeta Domingos Gonçalves de Magalhães é precursor do romantismo na literatura e na dramaturgia. Na primeira por sua obra Suspiros Poéticos e Saudades, na Segunda por sua peça Antônio José ou O Poeta e a Inquisição que estreou em 1838, no Teatro Constitucional Fluminense, encenada por João Caetano. É também um precursor, porque pela primeira vez no Brasil era encenada uma peça com tema brasileiro, escrita por um brasileiro.
Outro precursor foi Martins Pena que teve sua primeira comédia O Juiz de Paz na Roça, encenada também em 1838, no mesmo teatro e com o mesmo diretor: João Caetano. Com Martins Pena tem início a comédia de costumes mais tarde explorada por outros autores. Sua produção que se estende por dez anos consta de vinte e oito peças entre as quais: O Noviço, O Diletante, Os Irmãos das Almas, Judas em Sábado de Aleluia. Foram seus seguidores: Joaquim Manoel Macedo, José de Alencar, França Júnior, Artur Azevedo e outros mais. O teatro brasileiro progredia e progredia também a dependência do teatro estrangeiro.
João Caetano dos Santos, ator, diretor, cenógrafo, empresário é outro precursor. Parte da dependência estrangeira tende a desaparecer quando João Caetano funda em Niterói, em 1833, a primeira companhia dramática nacional destinada à formação profissional de atores brasileiros; com isso, o elenco teatral estava sendo nacionalizado embora as peças apresentadas fossem estrangeiras. Com a mesma finalidade escreveu Lições Dramáticas cujas palavras iniciais são as seguintes: “O teatro bem organizado e bem dirigido deve ser um verdadeiro modelo de educação, capaz de inspirar na mocidade o patriotismo, a moralidade e os bons costumes”. Quanto a arte de representar ele exalta a importância dos silêncios, da respiração certa, das pausas, do cultivo da voz, da expressão corporal, da presença de espirito e de tudo mais que valoriza o ator. Proclama a necessidade de estudar os tipos na sociedade e na história segundo as épocas que existem ou existiram; da consulta às obras dos grandes pintores e escultores, do estudo da “estrutura do homem” e da observação da vida real. Propôs ao imperador a criação de uma escola dramática totalmente gratuita ao aluno, nos moldes do Conservatório Dramático de Paris, e que era destinada a formação do ator nacional. A verba conseguida foi cortada pela câmara dos deputados seis meses depois em 06/08/1861. Considerado como o maior ator nacional João Caetano faleceu em 24 de agosto de 1863.
Na evolução do teatro brasileiro os gêneros mais cultivados foram: a comédia (Martins Pena), o drama (Gonçalves Dias com Leonor de Mendonça e Boadbil), a tragédia (Joaquim Noberto com Clitemnestra).

O século XIX


O século XIX que se inicia na verdade em 1789, com a revolução francesa e com a ascensão da burguesia é caracterizado pelas descobertas cientificas, pela produção industrial e pela supervalorização da ciência. Essa nova formulação, entretanto, colocava em segundo plano os valores individuais e espirituais. O romantismo foi o primeiro grito de protesto contra essa crescente desumanização das criaturas. No Brasil ele tinha a forma e a linguagem adequadas à formação e às manifestações da nossa nacionalidade condicionadas às nossas conquistas políticas. As datas de 1816, 1822 e 1889 são marcos históricos: de colônia para reino, de reino para império e de império para república.
Em 1810, para satisfazer a côrte portuguesa instalada na cidade do Rio de Janeiro, o príncipe regente D.João decretou a construção de um teatro, nessa cidade o qual foi inaugurado em 1813 recebendo o nome de Real Teatro de São João. Destruído por um incêndio, foi reconstruído com o nome de Teatro São Pedro de Alcântara em homenagem ao primeiro imperador. No período regêncial outro incêndio consumiu essa casa de espetáculos, daí, outra construção e outro nome, Teatro Constitucional Fluminense, uma homenagem a nossa primeira constituição. Outro incêndio e uma quarta reconstrução que toma o nome de Imperial Teatro São Pedro de Alcântara. No governo republicano passou a ter o nome de Teatro São Caetano, em homenagem a esse ator que havia falecido em 1863. Outros teatros haviam surgido tanto na côrte como nas capitais das províncias; os espetáculos eram de companhias vindas do exterior com temas, elencos e idiomas próprios, havendo porém uma predominância do teatro português sobre os italianos e espanhóis, surgem grupos de amadores propiciando o aparecimento de sociedades dramáticas e de inúmeros elencos explorando sempre temas estrangeiros; a dramaturgia brasileira ainda não havia se manifestado. Ela vai se manifestar e se afirmar, num clima nacionalista e na época do romantismo através da obra de Domingos Gonçalves de Magalhães.

O início de uma dramaturgia


Surgem os dramaturgos brasileiros com temas populares e inexpressivos: Luís Alves Pinto com “Amor Mal Correspondido” foi um dos primeiros. Com temas também importados Manuel Botelho de Oliveira escreveu comédias que apesar de representadas no Brasil eram publicadas somente em Lisboa onde ficavam as impressoras. Os inconfidentes mineiros aderem à dramaturgia: Cláudio Manuel da Costa além de “O Parnaso” teve seus poemas dramáticos representados em várias cidades. Inácio José de Alvarenga Peixoto escreveu “Enéias no Lácio”. Muito importante é Antônio José da Silva, o Judeu, que juntou à comédia de tipo espanhol elementos de ópera italiana entremeando ainda os diálogos de suas peças, de cunho essencialmente popular com músicas nacionais e italianas. É grande a semelhança com as zarzuelas madrilenhas. O historiador e polígrafo brasileiro João Ribeiro classifica-as como vaudeville. Dentre suas várias obras a mais célebre é “A Guerra do Alecrim e da Mangerona”. Nessa época o teatro francês passou por uma significativa renovação: - a declamação artificial foi substituída pela expressão dos estados psicológicos do ator em concordância com o texto representado, em outras palavras, a interiorização do texto pelo o ator e a exteriorização das emoções por ele provocadas. Essa renovação foi obra de dois autores franceses: Lekain e Talma e conferiu um aspecto mais realístico à arte cênica, entretanto não era conhecida nem praticada no teatro brasileiro, razão pela qual a interpretação dos atores era monótona e antiquada

Os elencos e os repertórios


Elas possuíam elencos dramáticos permanentes que eram compostos de negros, mulatos, operários e pessoas de outra qualificação social; a representação teatral era desprezada pelas elites. Não havia mulheres no elenco, exceção feita às prostitutas. A ausência de uma imprensa periódica que anunciasse os espetáculos levou a uma solução curiosa, semelhante aquela utilizada pelos circos, bandos percorriam a cidade anunciando as peças que seriam representadas, assim como a hora e o local. O repertório era estrangeiro, sobretudo espanhol (Moreto e Calderon eram os preferidos) enquanto que em Lisboa a influência francesa (Molière e Voltaire)já se sobrepunha á influência ibérica.

O Vazio Teatral



Período extremamente difícil para o Brasil tanto do ponto de vista político quanto econômico. Após 60 anos de dominação espanhola a produção açucareira entra em declínio devido a forte concorrência do açúcar do Caribe; a catequese também, cumprido o seu programa chegara ao seu término. Os estudiosos do Teatro Brasileiro constatam que nessa época houve uma espécie de vazio teatral. Não havia mais espaço para o teatro jesuítico e não surgira nada que o substituísse. Há uma única exceção: existem duas peças de autoria do baiano Manuel Botelho de Oliveira (nascido em 1637) o qual pode ser considerado como o primeiro comediógrafo brasileiro. Inspirado em modelos castelhanos escreveu as duas comédias: Hay Amigo para Amigo e Amor. Engaños e Celos.

O Teatro Jesuítico


O teatro nacional como atividade contínua baseada nos elementos concretos - autor, ator e público – só passaria a existir verdadeiramente após a independência, e com as primeiras manifestações do romantismo; entretanto a origem da arte cênica brasileira está ligada a própria obra de ocupação e colonização da terra recém-descoberta pelo Estado Português. Menos como fonte artística cultural e mais como instrumento catequético o teatro jesuítico situa-se como agente de transmissão dos valores ocidentais à população aborígine. Trata-se pois de um teatro profundamente moralista e ideológico além de ser caracteristicamente didático quanto aos meios e aos fins. Não era sem razão o fato de que nos autos os Santos eram: São Lourenço, São Sebastião, Santa Isabel e os demônios tinham nomes indígenas tais como: Aimberê, Saravaia, Guairará, etc. Como metodologia os padres da companhia de Jesus aproveitavam e usavam os próprios elementos culturais ameríndios, principalmente suas naturais inclinações para a dança e a música os quais foram sendo pouco a pouco substituídos pelos costumes portugueses. A forma dramática era o auto (de tradição medieval). Muitos e variados textos devem ter sido escritos e representados, mas deles nada restaram a não ser os do padre José de Anchieta. Dentre esses autos destacam-se: O Auto da Pregação Universal, Dia da Assunção, Na Festa de São Lourenço e Festa de Natal. Fatos históricos como as invasões, francesas e holandesas, desentendimentos entre jesuitas e bandeirantes e as lutas em Palmares foram algumas das causas do declínio do teatro jesuítico.

ARTISTA CIDADÃO


Capítulo V - pág., 49 – ARTE RETÓRICA E POÉTICA (ARISTÓTELES) - Coleção Universidade.
Qual deve ser o fim, quando se aconselha ou quando se desaconselha. Do bem supremo e de suas partes

Dom bem supremo.I

Com leves diferenças, cada homem em particular e todos os homens em comum se propõem um fim, para cuja consecução buscam certas coisas e evitam outras. Este fim, digamo- lo sumariamente, é a felicidade e os elementos que constituem.

2. A título de exemplo, indiquemos o que se entende por felicidade e quais as partes de que esta se compõe, uma vez que todas as discussões tendentes a aconselhar ou a desaconselhar giram em torno da felicidade, de suas partes componentes e daquilo que lhe é contrário. Daí, a necessidade de fazer tudo o que traz a felicidade ou alguma de suas partes, ou aquilo que a aumenta, ao passo que se deve evitar fazer o que a destrói ou corrompe ou que suscita um estado contrário.
3. Admitamos, pois, ser a felicidade um êxito que corre a par com a virtude, ou uma existência provida de recursos suficientes, ou ainda uma vida repleta de encantos, acompanhada de segurança, ou ainda uma abundância de bens e de riquezas, com a faculdade de conservar e de adquirir estas vantagens. Com poucas diferenças, a posse de um ou de vários destes bens, no dizer geral dos homens, acarreta a felicidade.
4. Sendo tal a natureza da felicidade, suas partes serão necessariamente: um nascimento honroso; grande quantidade de amigos; a amizade das pessoas de bem; as riquezas; filhos sadios; filhos numerosos; uma velhice ditosa; devendo-se acrescentar as qualidades físicas, como a saúde, a beleza; o vigor; elevada estatura, possibilidade de participar nos jogos gímnicos; ajuntemos: a boa reputação, as honras, a sorte, a virtude (ou ainda as partes desta: a prudência, a coragem, a justiça, a temperança). Gozaríamos de perfeita autarquia, se tivéssemos à disposição os bens que existem em nós ao mesmo tempo em que os bens que estão fora de nós, pois não há outros além destes. Os bens existentes em nós referem-se à alma ou residem no corpo; os que se encontram fora de nós são; nascimento honroso, amigos, riquezas e honras. Digamos ainda que, segundo nossa maneira de pensar, convém possuir capacidades e sorte, que assegurem no grau mais elevado a tranqüilidade de nossa vida.

Simon Khouri

Simon Khouri lança coletânea de 10 livros da série teatro brasileiro

Bastidores, entrevistas, fotos e a historia dos ícones do teatro brasileiro.
O projeto de Simon Khouri é ambicioso e belo. E particularmente espero que ele seja feliz em realizá-lo. Pois bem, estes dez primeiros volumes fazem parte de um projeto maior de mais 40 volumes, uma mistura de biografias e enciclopédia do teatro brasileiro.
Esta série tem Dulcina de Moraes, Eva Wilma, Sérgio Brito, Tônia Carrero, Dina Staf, Cleide Yáconis, Dercy Gonçalves, Henriette Morineau, São longos e apaixonados depoimentos destes e de outros artistas que, analisam peças e eventos ligados ao teatro e a historia. Outro grande atrativo é o preço destes volumes, em média custa de R$35,00 a R$39,00 nas principais livrarias.












Para saber mais:

Link da entrevista do Jô: